O próprio homem aprisiona o homem.
Não é a inescapável liberdade a que estamos fadados
uma corrente pesada que carregamos na consciência, consciência que não é tão simplificadamente
apenas consciência, é antes uma consciência sentimental.
Não. A liberdade supera a incapacidade humana de ser livre.
Ela escapa à tentativa de direcioná-la prum caminho prévia e conscientemente
engendrado, ainda que se trate dessa tal consciência sentimental a que me refiro.
E o homem, se angustia duplamente, por não conseguir
comportar Em-si a infinitude das possibilidades,
nem organizar suas intenções flutuantes.
Seria então, a suprema e inefável liberdade humana que é capaz
de todas as direções e vontades existentes - criadas - entre o espaço de si Para-si mesmo
um grilhão ou a chave mestra de todo vir a ser?
Resta ao homem não se paralizar pelos medos
nem repudiar a angústia, que é uma certa forma de estar no homem,
não necessariamente negativo, é impulso motivador.
Você diz na Origem do Nada: "...fujo para ignorar, mas não posso
ignorar que fujo."
Que o movimento desencadeado pela angústia do nada
não se reduza a um perambular afoito e arredio, fugitivo.
Porque você mesmo diz que a liberdade não se fundamenta
em valores, desse jeito ela se limitaria e se prenderia, e perderia
o próprio fenômeno nome-estado indissociável: Liberdade.
passarinho
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Vital
on terça-feira, 22 de setembro de 2009
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passarinho azul turquesa
da cabeça amarela como a camisa da seleção
e o papo pretinho pretinho
emitindo um canto bonito feito terça-feira nublada
feito a revoada solitária do passarinho azul turquesa
da mesma cor e do mesmo tom que o céu que não está
na qualquer-feira nublada, na re-pousada
solitária do passarinho da cabeça amarelada,
Amarela amarelada feito o sol que a terça-qualquer e nublada
esconde acima do tudo, que ao mesmo tempo
que é tudo é tudo e é nada.
passarinho azul turquesa voou
e a terça-feira nublada foi o que ficou.
da cabeça amarela como a camisa da seleção
e o papo pretinho pretinho
emitindo um canto bonito feito terça-feira nublada
feito a revoada solitária do passarinho azul turquesa
da mesma cor e do mesmo tom que o céu que não está
na qualquer-feira nublada, na re-pousada
solitária do passarinho da cabeça amarelada,
Amarela amarelada feito o sol que a terça-qualquer e nublada
esconde acima do tudo, que ao mesmo tempo
que é tudo é tudo e é nada.
passarinho azul turquesa voou
e a terça-feira nublada foi o que ficou.
sem fantasia
Postado por
Vital
on domingo, 20 de setembro de 2009
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Não vivas tão só de fantasias,
sonhar é bom, tão bom
que às vezes nos damos por satisfeitos em só sonhar...
E estes sonhos se tornam tão profundos em nossos corações
tão enraizados
Que já não temos mais coragem de trazê-los à tona de nossas vidas,
revivá-los em intenção.
Guardamos para eles apenas alguns minutos de contemplação diária...
Mantendo-os num estado de coma.
sonhar é bom, tão bom
que às vezes nos damos por satisfeitos em só sonhar...
E estes sonhos se tornam tão profundos em nossos corações
tão enraizados
Que já não temos mais coragem de trazê-los à tona de nossas vidas,
revivá-los em intenção.
Guardamos para eles apenas alguns minutos de contemplação diária...
Mantendo-os num estado de coma.
recado
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Vital
on sexta-feira, 18 de setembro de 2009
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Poesia pra quê?... Se a vida pulsa
mesmo sem saber,
sem querer.
Andei andei andei,
de mãos dadas
por vezes
mas o caminho de volta é sempre sempre
solitário
mania de ir-se embora de mim!
Deixa um verso solto
num lugar pelo qual você passou
pra que eu possa colher
um sinal teu é...
sempre bem-vindo.
mesmo sem saber,
sem querer.
Andei andei andei,
de mãos dadas
por vezes
mas o caminho de volta é sempre sempre
solitário
mania de ir-se embora de mim!
Deixa um verso solto
num lugar pelo qual você passou
pra que eu possa colher
um sinal teu é...
sempre bem-vindo.
bicho homem
Postado por
Vital
on terça-feira, 15 de setembro de 2009
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" Diz Petrónio que fora o medo que inventara as divindades. Deus é o que é. O homem é o pequeníssimo bicho da Terra, de que fala o Camões. Entre Deus e o homem, só a soberba estúpida do homem podia inventar convenções, concordatas, obrigações e alianças. O sagui é muito menos estúpido e mais modesto. Come, bebe, dá cabriolas, faz caretas ao mau tempo, coça-se ao sol, retouça-se à sombra, vive, e acaba feliz, porque se não receia de vir a ser homem. A estolidez do homem! Diz ele empapado de vaidade tola: 'Deus tem os olhos em mim!' Que importância! Deus tem os olhos nele! Se assim fosse, havia de ver bonitas coisas o criador do homem que mata seu irmão!
Os olhos nele, para quê? Para envergonhar-se a cada hora da sua obra!... É a blasfêmia em todo o seu asco! Rebalsa-te em sangue, miserável vampiro! Emperla os teus cabelos, meretriz, que deixas morrer tua mãe de fome! Mãe infame, come aí em toalhas de Flandres o preço da desonra de tua filha! Ostentai-vos, vermes, aos olhos de Deus, que estão pasmados em vós!..."
trecho do livro Coração, Cabeça e Estômago de Camilo Castelo Branco
Essa é a realidade humana e tudo quanto somos capazes. Nem só de belezas faz-se a vida e o poeta também é vil na sua estreita e torta vida que fica almejando um mundo infinito pela fresta de sentimentos confusos e indecisos, como se só a intesidade fosse plenamente verdadeira e consciente nisso tudo.
Os olhos nele, para quê? Para envergonhar-se a cada hora da sua obra!... É a blasfêmia em todo o seu asco! Rebalsa-te em sangue, miserável vampiro! Emperla os teus cabelos, meretriz, que deixas morrer tua mãe de fome! Mãe infame, come aí em toalhas de Flandres o preço da desonra de tua filha! Ostentai-vos, vermes, aos olhos de Deus, que estão pasmados em vós!..."
trecho do livro Coração, Cabeça e Estômago de Camilo Castelo Branco
Essa é a realidade humana e tudo quanto somos capazes. Nem só de belezas faz-se a vida e o poeta também é vil na sua estreita e torta vida que fica almejando um mundo infinito pela fresta de sentimentos confusos e indecisos, como se só a intesidade fosse plenamente verdadeira e consciente nisso tudo.
um dia eu chego lá
Postado por
Vital
on segunda-feira, 14 de setembro de 2009
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"Um dia eu chego lá..."
Mas lá onde?
Talvez num outro ponto da vida
em que eu repita essa mesma frase
essa mesma sentença de querer
e nunca chegar.
Um dia eu chego lá
lá na frente num novo lugar
que não passa de ponto de partida
pra um novo lá a se alcançar
e se cansar...
ou
será que a gente nunca cansa de nunca amanhecer
num dia em que simplesmente digamos despreocupadamente:
chegamos!
?
Mas lá onde?
Talvez num outro ponto da vida
em que eu repita essa mesma frase
essa mesma sentença de querer
e nunca chegar.
Um dia eu chego lá
lá na frente num novo lugar
que não passa de ponto de partida
pra um novo lá a se alcançar
e se cansar...
ou
será que a gente nunca cansa de nunca amanhecer
num dia em que simplesmente digamos despreocupadamente:
chegamos!
?
Esquecimento
Postado por
Vital
on sábado, 12 de setembro de 2009
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O céu se choveu acho que foi por nós.
Pra lavar-nos a alma
De uma forma tal
Que não conseguem
Nossas breves lágrimas de sal
Pra lavar assim a alma
Do jeito que se precisa
De todo mal que há,
O coração avisa
É no recôndito escuro e abissal
Que espera a doce brisa.
Fecha os olhos menina
Esquece que não há fundo
Nem teto,
Esquece das curvas
E tudo que é reto,
Esquece o mundo e tudo que nele habita
Esquece esquece esquece esquece
esquece
e lembra lá no fundo
como quem lembra esquecimentos de outra vida
a minha voz dizendo:
Amor.
Pra lavar-nos a alma
De uma forma tal
Que não conseguem
Nossas breves lágrimas de sal
Pra lavar assim a alma
Do jeito que se precisa
De todo mal que há,
O coração avisa
É no recôndito escuro e abissal
Que espera a doce brisa.
Fecha os olhos menina
Esquece que não há fundo
Nem teto,
Esquece das curvas
E tudo que é reto,
Esquece o mundo e tudo que nele habita
Esquece esquece esquece esquece
esquece
e lembra lá no fundo
como quem lembra esquecimentos de outra vida
a minha voz dizendo:
Amor.
