O absurdo de súbito rompeu com as vozes
das senhoras recatadas em suas mortalhas lutuosas
e subiu muito além dos muros e telhados
que guardaram essas pobres ovelhas por tantos invernos
à salvo! do bem e do mal, dos perigos da carne;
pastando cabisbaixas sem comer a raiva ou o sal
[apenas o obedecimento]
e essa gratidão silenciosa por não morrer antes do tempo,
por tua proteção e tua palmatória que as mantém à salvo do inimigo,
à salvo de serem salvas;
do fascínio nadificante exercido pelo abismo,
da traição que cada um carrega na testa,
da vontade alucinada de pular e não cair jamais.
Casas tão profundamente edificadas feitas de pura metafísica
conservando taciturnas expressões de pedra e penumbra
como que para adorar a privação inutilmente fracassada,
porque regozijam-se ao ver tua satisfação em estrepar-lhes o couro,
porque querem e reivindicam o limbo eterno!
Já não podem mais o paraíso das belezas intocáveis
e até preferem as dores da penitência
ao pudor de não sentir nada.
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Vital
on sexta-feira, 8 de julho de 2011
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" Seria quando a gente limpa ele de algum verniz, de alguma
semostração, de brilhos falsos, de preciosismos, das dores de cor-
no e coisas que tantas. É preciso que o verso seja o indizível pessoal
de cada um. Que as nossas caras e as nossas verdades não sejam
expostas senão de costas. Que seja o verso um disfarce de nós, uma
pose ambígua. A despersonalização serve pra multiplicar o que a gente é.
"O verso tem que ser o véu e a capa de uma outra coisa",
como queria Fernando Pessoa. O verso está sol quando seja apenas
linguagem."
trecho de uma entrevista de Manoel de Barros.
semostração, de brilhos falsos, de preciosismos, das dores de cor-
no e coisas que tantas. É preciso que o verso seja o indizível pessoal
de cada um. Que as nossas caras e as nossas verdades não sejam
expostas senão de costas. Que seja o verso um disfarce de nós, uma
pose ambígua. A despersonalização serve pra multiplicar o que a gente é.
"O verso tem que ser o véu e a capa de uma outra coisa",
como queria Fernando Pessoa. O verso está sol quando seja apenas
linguagem."
trecho de uma entrevista de Manoel de Barros.
Aspiração
Postado por
Vital
on sábado, 4 de junho de 2011
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" Já não queria a maternal adoração
que afinal nos exaure, e resplandece em pânico,
tampouco o sentimento de um achado precioso
como o de Catarina Kippenberg aos pés de Rilke.
E não queria o amor, sob disfarces tontos
da mesma ninfa desolada no seu ermo
e a constante procura de sede e não de linfa,
e não queria também a simples rosa do sexo,
abscôndita, sem nexo, nas hospedarias do vento,
como ainda não quero a amizade geométrica
de almas que se elegeram numa seara orgulhosa,
imbricamento, talvez? de carências melancólicas.
Aspiro antes à fiel indiferença
mas pausada bastante para sustentar a vida
e, na sua indiscriminação de crueldade e diamante,
capaz de sugerir o fim sem a injustiça dos prêmios."
simplesmente Drummond.
que afinal nos exaure, e resplandece em pânico,
tampouco o sentimento de um achado precioso
como o de Catarina Kippenberg aos pés de Rilke.
E não queria o amor, sob disfarces tontos
da mesma ninfa desolada no seu ermo
e a constante procura de sede e não de linfa,
e não queria também a simples rosa do sexo,
abscôndita, sem nexo, nas hospedarias do vento,
como ainda não quero a amizade geométrica
de almas que se elegeram numa seara orgulhosa,
imbricamento, talvez? de carências melancólicas.
Aspiro antes à fiel indiferença
mas pausada bastante para sustentar a vida
e, na sua indiscriminação de crueldade e diamante,
capaz de sugerir o fim sem a injustiça dos prêmios."
simplesmente Drummond.
Maio
Postado por
Vital
on domingo, 15 de maio de 2011
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Descobri que gosto de Maio.
Gosto de escrever outono,
das pessoas que me ensinaram
a beleza de Maio
(principalmente as desconhecidas).
Gosto da clareza de Maio
mais essas tristezas bonitas,
nossos cabelos de vento e
Aquele acorde menor com 6ª reluz
diante da tua cama de folhas
enquanto eu componho uma harmonia imperfeita
pra você improvisar deliberadamente sua beleza,
que suspira e se desapega em Maio.
Gosto de escrever outono,
das pessoas que me ensinaram
a beleza de Maio
(principalmente as desconhecidas).
Gosto da clareza de Maio
mais essas tristezas bonitas,
nossos cabelos de vento e
Aquele acorde menor com 6ª reluz
diante da tua cama de folhas
enquanto eu componho uma harmonia imperfeita
pra você improvisar deliberadamente sua beleza,
que suspira e se desapega em Maio.
Papo UniversiOtário nº 2
Postado por
Vital
on quarta-feira, 30 de março de 2011
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Tenha MEDO! Lado direito, lado esquerdo, de cima debaixo se aprende a pensar que apertar o nariz e saber onde a África não está, nunca esteve é a mesma ação da influência de idéias - porque sim e/ou não - [comida tem que ser] uma coisa engraçada: abóbora enfeitada "such a Fuc-King halloween" MAIS + transgenia pra mim! Suco de pesticida(ROUNDUP na veia e heroína no rim) to be, to be him. Eugenia é uma coisa muito pior do que o fim.
Crianças e quadrados não gostam de psicodramas alimentícios na hora do almoço, na hora do Naruto, enquanto eu fumo um charuto e coloco vírgulas em lugares errados, sujeitos à guincho, sem solução criativa para problemas ainda não fabricados; para defeitos com defeito de fábrica, dos quais não abrimos mão de não abrir mão, porque premeditamos e vamos assassinar a sangue frio toda e qualquer surpresa surpreendida por e com nossas bolas de cristal e fio e cobre e chip e fone e fino e rádio-atividade para operacionalizar alegremente problematizações pré-elaboradas através de olhares laboratórios e reprovadores que nos transmutarão em computadores que amam e fazem piadas via microondas, via wireless, via satélite, via Dutra, via oral[através de olhares reprovadores e laboratórios que nos transmutarão em computadores que amam e fazem sexo estelar, na rodovia, com auxílio GPS].
Nossos princípios retro-projetados, retro-introjetados, introjetados pelo reto em cápsulas supositórios com dissolução rápida, delgada, grossa, das tripas e do coração enfezado de coliformes, de clorofórmio, qualquer onda barata, qualquer onda de barata que vira gente e pouco se fode por filosofias escrotizantes, porque elas não querem nenhuma náusea que não seja fecal, orgânica-alimentar com ou sem drama ou fetiche, sexualidade olfativa é uma forma de paladar. O caminho inverso de amar toda precariedade arbitrária de existir, consumir, falar, excretar, feder e não se importar que o que a gente já jogou fora ainda é um lugar.
Crianças e quadrados não gostam de psicodramas alimentícios na hora do almoço, na hora do Naruto, enquanto eu fumo um charuto e coloco vírgulas em lugares errados, sujeitos à guincho, sem solução criativa para problemas ainda não fabricados; para defeitos com defeito de fábrica, dos quais não abrimos mão de não abrir mão, porque premeditamos e vamos assassinar a sangue frio toda e qualquer surpresa surpreendida por e com nossas bolas de cristal e fio e cobre e chip e fone e fino e rádio-atividade para operacionalizar alegremente problematizações pré-elaboradas através de olhares laboratórios e reprovadores que nos transmutarão em computadores que amam e fazem piadas via microondas, via wireless, via satélite, via Dutra, via oral[através de olhares reprovadores e laboratórios que nos transmutarão em computadores que amam e fazem sexo estelar, na rodovia, com auxílio GPS].
Nossos princípios retro-projetados, retro-introjetados, introjetados pelo reto em cápsulas supositórios com dissolução rápida, delgada, grossa, das tripas e do coração enfezado de coliformes, de clorofórmio, qualquer onda barata, qualquer onda de barata que vira gente e pouco se fode por filosofias escrotizantes, porque elas não querem nenhuma náusea que não seja fecal, orgânica-alimentar com ou sem drama ou fetiche, sexualidade olfativa é uma forma de paladar. O caminho inverso de amar toda precariedade arbitrária de existir, consumir, falar, excretar, feder e não se importar que o que a gente já jogou fora ainda é um lugar.
dos imateriais encontros
Postado por
Vital
on terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
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Quando depois de toda história
contada em livros derramados
por gerações de fanáticos iconólatras
que ensaiaram seu sucessivo fracasso
sem causa e sem conserto,
nos deparemos quem sabe com a nossa memória interrompida,
saberemos quem deu a ordem
de atear fogo à essas casas!
e pensaremos à altura do fogo o seu som
que recobra e reivindica as coisas que só se movem paradas.
Terá sido como pensar a luz
enxergando o olho ou o rio bebendo o peixe e o homem
enquanto se mergulha no próprio rumor que ecoa dentro de mim,
quando relembro de encontrá-lo ainda antes de tê-lo visto ou tocado.
São coisas que a história não guarda.
Coisas que não podem ser datadas.
contada em livros derramados
por gerações de fanáticos iconólatras
que ensaiaram seu sucessivo fracasso
sem causa e sem conserto,
nos deparemos quem sabe com a nossa memória interrompida,
saberemos quem deu a ordem
de atear fogo à essas casas!
e pensaremos à altura do fogo o seu som
que recobra e reivindica as coisas que só se movem paradas.
Terá sido como pensar a luz
enxergando o olho ou o rio bebendo o peixe e o homem
enquanto se mergulha no próprio rumor que ecoa dentro de mim,
quando relembro de encontrá-lo ainda antes de tê-lo visto ou tocado.
São coisas que a história não guarda.
Coisas que não podem ser datadas.
Antes de dormir
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Vital
on quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
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Antes de dormir
leituras inacabadas
uma reza do ideal
arquitetura celeste
curva no invisível
vontade de sentir
a inexatidão de querer
a distância das coisas
a surpresa de um verso
que não se adivinha
na lógica desmontada
por palavras alheias
ao destino composto
de sonhos que rimam
na avessa fonética
de uma criatura maior
que o tempo concebido
em fazer-se por nada
só a vontade de ver
concluído pra fora
o abissal sedimento
desmemoriado da vida
que se acumula nos leitos
de oceanos amantes.
leituras inacabadas
uma reza do ideal
arquitetura celeste
curva no invisível
vontade de sentir
a inexatidão de querer
a distância das coisas
a surpresa de um verso
que não se adivinha
na lógica desmontada
por palavras alheias
ao destino composto
de sonhos que rimam
na avessa fonética
de uma criatura maior
que o tempo concebido
em fazer-se por nada
só a vontade de ver
concluído pra fora
o abissal sedimento
desmemoriado da vida
que se acumula nos leitos
de oceanos amantes.
