dos imateriais encontros

Quando depois de toda história
contada em livros derramados
por gerações de fanáticos iconólatras
que ensaiaram seu sucessivo fracasso
sem causa e sem conserto,
nos deparemos quem sabe com a nossa memória interrompida,
saberemos quem deu a ordem

de atear fogo à essas casas!
e pensaremos à altura do fogo o seu som
que recobra e reivindica as coisas que só se movem paradas.

Terá sido como pensar a luz
enxergando o olho ou o rio bebendo o peixe e o homem
enquanto se mergulha no próprio rumor que ecoa dentro de mim,
quando relembro de encontrá-lo ainda antes de tê-lo visto ou tocado.
São coisas que a história não guarda.
Coisas que não podem ser datadas.

2 comentários:

kinha disse...

Acho que fiquei com medo desse..hehehehe
;*

Rafael Geremias disse...

É essa ausência daquilo que não perdemos, ou que perderam por nós, daquilo que sonhamos e recobramos através de histórias românticas.

E se for preciso, me torno o peixe bebido pelo rio. Não mais indivíduo, agora o objeto!

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