O absurdo de súbito rompeu com as vozes
das senhoras recatadas em suas mortalhas lutuosas
e subiu muito além dos muros e telhados
que guardaram essas pobres ovelhas por tantos invernos
à salvo! do bem e do mal, dos perigos da carne;
pastando cabisbaixas sem comer a raiva ou o sal
[apenas o obedecimento]
e essa gratidão silenciosa por não morrer antes do tempo,
por tua proteção e tua palmatória que as mantém à salvo do inimigo,
à salvo de serem salvas;
do fascínio nadificante exercido pelo abismo,
da traição que cada um carrega na testa,
da vontade alucinada de pular e não cair jamais.
Casas tão profundamente edificadas feitas de pura metafísica
conservando taciturnas expressões de pedra e penumbra
como que para adorar a privação inutilmente fracassada,
porque regozijam-se ao ver tua satisfação em estrepar-lhes o couro,
porque querem e reivindicam o limbo eterno!
Já não podem mais o paraíso das belezas intocáveis
e até preferem as dores da penitência
ao pudor de não sentir nada.

5 comentários:
tem tempo que meus dedos encruaram
de cru que sempre foram
aram os entre nós nesse nunca que chega a qualquer hora.
então,
[joyce é uma amiga que me inspira.]
e foi engraçado vc lembrar das cidades porque escrevi a minha parte depois de ouvir (ver) um video no facebook de um sino tocando na cidade de ouro preto...
tava com saudades de ler aqui
beijão!
É vital que cada um de nós descubra o prazer da vida fora da casca do medo e da proteção do conhecido. "essa gratidão silenciosa por não morrer antes do tempo" é só mais uma forma silenciosa de morrer, diariamente.
Abraço rapaz, muito bom!
Ah! As dores da penitencia! ;]
Pra quem não escreveria mais, até que publicaste intensos versos!
As vezes as coisas são inexplicáveis e já outras basta sentir.
Quanto as belezas intocaveis: elas nunca poderiam tocar uma vez que são intangiveis até aos mais carolos deuses e mortais;
Quanto as penitências:
"Não ha felicidade que não acabe e nem tristeza que dure para sempre";
Quanto ao pudor: ha maior vergonha do que a de passar pela vida e não viver?
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