Soneto Desterrado

Soprou as cinzas vento velho
passei sem passado qual passante austero
Saraivando nobre leve entorno ao Hélio,
secos sonhos eu ainda ainda espero.

Esquecimento e concreto férreo
Inverossímil a força bruta do mistério
Solidificado sem terraço ficou meu amor térreo
Transparecido, alvo, um poema estéril.

O fim da vida – não o final – é sem cornaço,
Não fere ou fura: escleral, escura.
Gênese de todo minério e metal; primeiro abraço.

Lirista louco e desgraçado de mazela a cura
Descobre fronteiriço à morte o embaraço
De só quando desterrado encontrar o que procura.

3 comentários:

Tassiana disse...

Se ha de um dia desterrar-se.
Se um dia, for realmente um desejo.
Se realmente desejacessar sua infinda procura...

Aproveitemos, que os sonhos ainda são de graça!

um beijo!

Hélio Netho; disse...

o final, coisa triste e intensa.
Feito um louco mesmo, em uma constante procura. >>

Rafael disse...

Magnífico, adorei!
Abraço

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