Tão longe. Tão perto.
Amanhã?
- Incerto. Madrugo
deserto desperto,
fechado e fachada
aberto.
Nulo, pulo, nada,
abrigo de mãos espalmadas
fundindo eu...
Aperto, há perto
Há! É certo que há
na ausência franca
e pautada do papel: inerte,
manchado por um nome: Alberto ou
qualquer letra desencontrada
do ainda não inventado Alfabeto
de palavras
sem-teto,
sem veto.
Eu sou ao mesmo tempo
o que o meu avô foi - um vir a ser de neto - essa mistura de tempo e árvores,
plantadas ou genealógicas.
Tão longe tão perto
eu de mim mesmo,
meu grande amor
é uma maré
tão certa quanto imprevista,
tão esperada que surpreende.
Existente mas esquecida,
suave a tua brisa e docemente corrosiva.
Mar é mistério
com ou sem tempestade.
É lonjura no perto tocável.
Saudade de inverter aquela palavra
que eu nunca soube nem consegui,
saudade é o mar alto e a praia branca,
é areia fina e grossa fundura.
Fogo de morro acima e água de morro abaixo
nada não segura.

8 comentários:
Você é um espanto, rapaz.
Muito,muito bom! Ler seu texto é como ir degustando cada sentido que faz parecer,não sei se me faço entender..Mas é que realmente vc é um espanto ,rapaz.Você é dos bons!
Eu fico feliz quando leio algo assim... Que seu talento e sua arte não morram.
"tão certa quanto imprevista,
tão esperada que surpreende."
palavra, palavra, palavra
"que eu nunca soube nem consegui"
- por isso -
palavra, palavra, palavra
bjo
dani
sou completamente retardada pra comentar poesia.
mas adorei, rs.
"saudade é o mar alto e a praia branca,
é areia fina e grossa fundura."
eu digo que saudade é oceano calmo, sem onda.
mas com muita coisa acontecendo lá no fundo.
beijos imensos.
Muito bom, cara, gostei!
Abraço
Inverter palavras... ta ai uma coisa que eu sempre quis saber como se faz.
Você fez falta no eco!
E as novidades do sul de minas?
saudades sinceras, um beijo.
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