Passageiro

O maior rio não é o mais veloz,
é o mais paciente.
Naquela tarde sem feira virei pedra no rio,
tucano me cagou lá do alto
enquanto folhas submersas acariciavam meus pés sinceros.
Se a ponte velha cair ou não o rio segue
liberdade.

Fui de lá por mim com essas impressões de ser
por trás dos olhos.

Acho que dali só muito tempo depois
aprendi o que o rio me ensinou.
E fiquei assim... Amando amor de rio, de passagem, sem pressa
porque o destino une sem premeditar.
Acumulei muitas pedrinhas no meu leito raso de mistérios simples.

Conchas e amores às minhas margens - minhas correntezas apaixonadas,
flores e amores tudo sobre o barro.
O vento, sinto-o junto à minha superfície acompanhada de si mesma.
Coleciono minhas sensações de liberdades,
beijos sinceros [minha saudade tátil]. Eu sou assim,
passageiro entre coisas,
é a minha sina não ficar, minha bênção e minha pena.

6 comentários:

flaviadoria disse...

'Amando amor de rio, de passagem, sem pressa
porque o destino une sem premeditar.'
Sábias palavras, meu caro Vital.
Poema gostoso é assim, desagua dentro da gente.

Mariângela disse...

quando eu crescer, quero ser uma pedra no rio e ter impressões de ser por trás dos olhos.

Luna disse...

meu rio é de correnteza, veloz, turvo.

tô comentando-chorando por algo que acabou de acontecer, e daí que venho aqui, e me deparo com o que tu escreveu.

algumas pessoas não ficam,né.

dani carrara disse...

muito bonito

rafael Costa disse...

E se soubesse que sou de partida, agora, sem premeditar...

belíssimo poema.

Abraços,

Rafa

Hélio Netho; disse...

Senti a maresia...
Fui igualmente passageiro.

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