incabível

O tempo não coube nas mãos.
Escorreu como água escorre.
Ficaram as ausências sublimadas
enquanto eu bebia,
e o corpo cuidou de guardar em si as impressões
de cada noite acompanhado
com ou sem amor.
Coisas que dizem mais que por bem ou mal,
coisas que dizem.
Eu queria escolher sem renunciar,
mas também não coube no tempo,
nem coube na liberdade a idéia de me prender
porque eu não cheguei a conseguir.
E fiquei preso à minha liberdade portuária.
A minha verdade
é que o amor jamais chegou a caber no tempo.
E o tempo das cartas, das fotografias, da casa velha, do trem urbano, até mesmo dos velhos segredos... passou. Coisas que ainda existem,
que podemos revisitar, mas que não nos alcançam mais,
Coisas que se encontram com a fumaça da ausência,
que ultrapassam sua condição passada quando se liquefazem na lágrima presente.
Chorar é doer o interrompido.
O amor não coube no tempo,
escorreu como água escorre e continua escorrendo.

6 comentários:

kinha disse...

Eu te entendo profundamente...
;]

Tiago Fagner disse...

Me bateu uma tristeza depois de ler, não sei bem o que dizer.

"O amor não coube no tempo. (...) E o tempo das cartas, das fotografias, da casa velha, do trem urbano, até mesmo dos velhos segredos... passou"

E passa.

Mariana Khalil disse...

"A minha verdade
é que o amor jamais chegou a caber no tempo."


Gostei muito do blog.
O amor não cabe no tempo, e às vezes em uma explicação. Uma verdade.


Abraços,
Mari
____________
(http://odeavida.blogspot.com)

Mariângela disse...

o amor nunca cabe no tempo
o tempo sempre escorre nas nossas mãos
a ausência é uma escolha
o corpo sente e guarda
a presença do amor
que vive além do tempo.
.....
gosto demais dos seus poemas
.....
beijos

Hélio Netho; disse...

"é que o amor jamais chegou a caber no tempo."

Essa atemporalidade me irrita as vezes...

Rafael disse...

Muito bom, cara, ficou ótimo!
Abraço

Postar um comentário