de-Talhos

Um brinde às flores recusadas,
um brinde às cartas de amor rasgadas.
Brilham muitos olhos e estrelas
as taças borradas de batom celebram suas indiferenças,
celebram a postura ereta com que se mentem.
E mentem o quanto podem
só pra enganar os medos. Tolice,
mais cartas serão escritas, lidas e queimadas. As flores,
secarão e quem sabe pétalas secas serão guardadas
entre páginas de livros que não tornaremos a ler.

Um brinde aos corações partidos,
um brinde aos corações intactos que ainda se partirão.
Intenciono meu copo cheio na lembrança dos cancioneros bêbados,
dos poetas tortos e dos amores abortados.

Salvo se eu bastasse, então não seria trágico,
mas não me basto. Tragédias de deuses e homens nos comovem
e nos justificam os males. Somos feitos de detalhes,
amamos e odiamos por detalhes: como escolher rasgar ou não aquela fotografia. Como
abrir os olhos antes de o beijo acabar.

2 comentários:

kinha disse...

isso foi bom ou ruim?

Bia Magalhães disse...

Só sei que me vi em todos os cantos deste poema...me vi com uma taça e o batom a borrar...minha postura querendo mostrar algo que nunca serei. Me vi na solidão e sozinha pensando no que fazer...
Meu deus...isso foi tudo que aconteceu comigo essa semana! Quero esse testo pra mim. Posso publicá-lo em um fanzinhe aqui em Teresina? rsrs
Bjus

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